| La
Karavelo
magazine cultural internacional em esperanto
ISSN: 1647-3353 - Depósito Legal: 301472/09 - Cada revista 8 € - Anualmente 6 números
Para Lusófonos Cegos
|
Esperanto
uma língua falada e
escrita também por cegos
em mais de quarenta países no mundo
por Joaquim Lagartixa
representante em Portugal
da Liga Internacional de Cegos Esperantistas (LIBE)
Graças ao Esperanto, ao braille e à internet, cegos de todos os continentes discutem diariamente, em ambiente fraterno e verdadeiramente internacionalista, os problemas que afetam as suas vidas nos mais diversos países. Trocam informações sobre informática, partilham impressões sobre leituras, músicas, cultura, etc. Possuem uma organização internacional a “Ligo Internacia de Blindaj Esperantistoj” que edita, em braille, uma das revistas mais antigas que se publica neste código em todo o mundo – a “Esperanta Ligilo”, fundada em 1904. Para além disto, a liga tem publicado livros em esperanto, em braille, que abrangem vários géneros e vários campos do saber e, recentemente, administra uma página na internet onde é possível ler online a revista acima mencionada e obter informações sobre, nomeadamente, os delegados da organização em vários países.
Aproveitando a relativa facilidade do esperanto, muitos cegos, logo de início, após a adaptação do alfabeto da língua para o braille, começaram a aprender o idioma, tendo aparecido, muito cedo, manuais nas línguas mais faladas do mundo, entre elas o português. Existe um manual publicado em braille no Brasil – Curso de Esperanto em 20 lições – que proporciona, mau grado o facto de já não ser recente, uma boa aproximação inicial às regras gramaticais e ao espírito da língua. Para o cego português que deseje aprender Esperanto, este manual é uma ferramenta bastante acessível, já que existem exemplares do mesmo na área de leitura especial da Biblioteca Nacional de Portugal. Como qualquer livro do respetivo acervo, pode ser disponibilizado para leitura domiciliária. No mesmo serviço existem igualmente dicionários que podem ser utilizados como fontes complementares.
Para esclarecimento de dúvidas e aprofundamento de conhecimentos, o caminho a seguir é integrar-se na "Ligo Internacia de Blindaj Esperantistoj" e procurar o apoio de delegados em Portugal ou no Brasil. Para tal, basta uma visita à página da organização.
Ligação para a "Ligo Internacia de Blindaj Esperantistoj", aqui: http://libe.narzan.com/
Oiça uma entrevista sobre esperanto na rádio brasileira, com Joaquim Lagartixa, aqui: mp3
Algumas dicas sobre o alfabeto do esperanto
por Joaquim Lagartixa
O Esperanto é uma língua lógica e regular, o que a torna mais fácil de aprender do que qualquer língua nacional. A sua gramática não tem exceções e o significado de muitas palavras deduz-se facilmente desde que se conheça o processo de formação das palavras. Para demonstração, ficam aqui apenas algumas dicas:
O problema de se saber como pronunciar e ler palavras em esperanto fica solucionado desde o início, pois todas as palavras são de acentuação grave (o acento tónico cai sempre na penúltima sílaba, a contar do fim da palavra) e as letras do alfabeto têm sempre o mesmo valor.
Assim, o G pronuncia-se sempre como na palavra Guerra. O Q não existe, existe o K com o valor de Q. O S tem sempre o valor da primeira letra da palavra Sapato. O U tem sempre o valor de U em Uva, etc.
A palavra "geografio" deve ler-se "gueografio", com acento na sílaba Fi. A palavra "Patro" como na nossa língua, só com o som do O mais aberto como na nossa palavra Foca – e acentuado na sílaba Pa.
A primeira letra do alfabeto é o A e pronuncia-se sempre com o som aberto como em Parque. Em braille escreve-se como na nossa língua.
A segunda letra é o B e pronuncia-se e escreve-se como no nosso idioma.
A terceira letra é o C que em esperanto tem sempre o som TS. Assim, "Nacio" deve ler-se "Natsio", acentuando a sílaba TSI.
A quarta letra é um C com acento circunflexo. Em braille é um C mais o ponto 6, portanto escreve-se com os pontos 1 4 6. Tem o som TCH como certos brasileiros pronunciam na sílaba Ti.
A quinta é o D, em tudo igual ao português na palavra Dar.
A sexta é o E, sempre com o som da letra na palavra Fé.
A sétima é o F, igual ao português.
A oitava é o G, sempre como em Guerra.
A nona é um G com acento circunflexo e tem o som de DJ. Em braille escreve-se com os pontos 1 2 4 5 6.
A décima é o H sempre pronunciado como na língua inglesa.
A 11ª é um H com acento circunflexo e deve pronunciar-se como o J em espanhol, como na palavra espanhola "mujer".
A 12ª é o I e deve pronunciar-se sempre como em Igreja.
A 13ª é o J e deve pronunciar-se como I em Pai, isto é, sem acento tónico. Ex. "pajlo" deve ler-se "pailo". "Panjo" – "Pánio". Mas "Patrio" deve ler-se "pa-trio", com acento na sílaba Tri.
A 14ª é o J com acento circunflexo e tem sempre o som do nosso J em Jardim. Em braille escreve-se com os pontos 2 4 5 6.
A 15ª é o K e tem sempre o som de Q.
A 16ª é o L e tem o som da letra em Livro.
A 17ª é o M e tem o mesmo valor que em português. Deve sempre tentar-se acentuar o seu valor para se distinguir do N. Assim, deve pronunciar-se "kom-for-ta", acentuando a sílaba For. O M não deve ser nazalizado, isto é, o som não deve sair pelo nariz.
A 18ª é o N e tem valor igual ao português. O N não deve ser nazalizado.
A 19ª é o O e tem sempre o valor de O em Foca.
A 20ª é o P, em tudo igual ao português.
A 21ª é o R e tem sempre o som da letra em Cara.
A 22ª é o S e tem sempre o valor da letra em Sapato.
A 23ª é um S com acento circunflexo e tem o som de CH na palavra bicho. Em braille escreve-se com os pontos 2 3 4 6.
A 24ª é o T e pronuncia-se com o som da letra em Tempo.
A 25ª é o U e tem sempre o mesmo som que em Uva.
A
26ª é um U com um acento chamado braquia.
A braquia parece um U muito pequeno que fica sobre o U.
Tem o som de U em Paulo, isto é, sem
acentuação. Em braille escreve-se com os pontos 3 4 6.
A 27ª é o V, igual ao português em Vento.
A 28ª é o Z tem sempre o som do Z na palavra Zebra.
Se pretender alguns esclarecimentos, pode contactar-me pelo skype: jlagartixa