As Línguas, a Internet, o Esperanto
por: Manuel José Pinguinha


Como já é do conhecimento geral, o ano de 2008 foi declarado, pela UNESCO, o Ano Internacional das Línguas. Mas, antes disso, já alguns vinham alertando para o desafio das línguas. Isto por se tratar de facto de um interessante desafio a que não devemos virar a cara, mas sim enfrentá-lo. Aprender línguas não é tarefa fácil, mas, para quem o consegue, é muito gratificante. É através delas que se veiculam todos os ramos de conhecimento e é por elas que, nacional e internacionalmente, flui toda a informação. Por isso se diz que as línguas são um tesouro da humanidade. No entanto, sendo o domínio linguístico muito importante para que todos os seres humanos se possam comunicar, muito importantes também são os rápidos instrumentos que hoje veiculam a informação à velocidade da luz, donde se destaca a veloz Internet.
Mas, se o domínio linguístico, com a ajuda das telecomunicações, já muito facilita os contactos entre os diferentes povos da Terra, o que muito contribui para o bom entendimento, para a harmonia, para a justiça e para a paz, melhor virá a ser quando houver mais facilidade no ensino de línguas. Isto será bem possível; só dependerá dos governos, dos alunos, dos pais dos alunos e de um pouco mais de democracia no ensino.
Não quer isto dizer que se tenha de abandonar o sistema actual do ensino de línguas. O que será preciso será apoiar o que de novo já existe neste campo e isto é o que já vai sendo feito. Alguns municípios, desde há 4 ou 5 anos para cá, vêm dando algum patrocínio à cultura da Língua Internacional Esperanto. Um caso exemplar é o do município de Herzberg, na Alemanha e, segundo parece, futuramente outros lhe seguirão o exemplo. No passado mês de Abril também a Comissão Europeia deliberou dar apoio ao movimento esperantista na Europa e, para tal, aprovou uma subvenção de quase 56 mil euros para a Europa Esperanto-Unio (União de Esperanto Europeia), com a finalidade de custear em 80% as despesas de funcionamento daquela organização cultural . Hoje a Língua Internacional Esperanto, mesmo quase só por iniciativa popular, está a ter um incremento impensável há uns anos atrás. E porquê ? Por ser muito mais fácil de se aprender do que qualquer outra língua e porque a Internet tem contribuído muito para o seu uso, divulgação e expansão a nível mundial. Estamos num país muito católico, mas ainda não vimos bem os bons exemplos que nos são dados pelo Vaticano sobre esta questão. A língua Esperanto é a única, das línguas planeadas, que está oficialmente reconhecida pelo Vaticano como língua litúrgica e é usada todos os anos pelo Papa, a par de outras línguas, quando ele dirige a sua mensagem “urbi et orbi”, a Roma e ao mundo, por ocasião da Páscoa e do Natal. A Rádio Vaticano transmite programas em Esperanto três vezes por semana que podem ser ouvidos pelos processos tradicionais de radiodifusão, por via satélite e pela internet em: http://www.radio-vatikana-esperanto.org . É também a partir de Roma que é publicada a revista “Espero Katolika”, Esperança Católica, totalmente escrita em Esperanto. Outras estações de rádio também transmitem em Esperanto como, por exemplo, a Rádio Pequim, diariamente. Inúmeros periódicos são publicados por todo o mundo nesta língua, não ficando Portugal de fora. Cá, temos também a bela revista
La Karavelo, A Caravela, uma revista literária mensal que divulga a literatura de língua portuguesa, através da língua Internacional Esperanto, por todo o mundo. Esta revista pode ser baixada no portal: www.esperantopt.com e podem ser pedidas informações, em português ou em esperanto, ao seu redactor pelo endereço electrónico lakaravelo@gmail.com . Portanto, para quem gosta e para quem precisa mesmo de comunicar a nível internacional, há hoje bons instrumentos para o poder fazer e, para isso, esta língua desempenha já um papel notável.

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